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Death – A Banda que era punk antes do punk ser punk

31 ago
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Death

Para Detroit, Death é o elo perdido entre o hard rock do final dos anos 70 e o punk rock da década seguinte
Era noite do final de fevereiro e no clube noturno Monkey House acontecia um tipo de reunião familiar. Enquanto ouvia-se o som barulhento da banda Rough Francis tocando um set de clássicos do punk-rock, Bobby Hackney recostava-se no balcão do bar esboçando um sorriso radiante. Três de seus filhos – Bobby Jr., Julian e Urian – são integrantes do Rough Francis, porém seu sorriso não era apenas de puro orgulho paterno. Sua reação tinha a ver também com autoria artística. Grande parte das canções tocadas pela banda foi escrita pelo Bobby pai e por seus irmãos, David e Dannis, quando formavam o power trio de Detroit chamado Death nos anos 70.

A música do trio praticamente nunca mais foi ouvida desde que os rapazes pararam de se apresentar, mais de três décadas atrás. Entretanto, depois de todos esses anos de silêncio, a hora do Death finalmente chegou. Chegou, porém, com mais de uma década de atraso para seu líder e fundador, David Hackney, que morreu de câncer pulmonar em 2000. “David tinha mais convicção do que qualquer um de nós de que estávamos fazendo algo totalmente revolucionário”, disse o Sr. Bobby (52).

Lembrados apenas por colecionadores de punk-rock mais fervorosos – o single da banda lançado em 1976 recentemente trocou de mãos pelo valor de US$800 – o Death poderia ter ficado esquecido na obscuridade não fosse a descoberta, no ano passado, de uma demo tape de 1974 no sótão de Bobby. Lançado no mês passado pelo selo Drag City Records, …For the Whole World to See é um conjunto de gravações revelado ao público que mostra um extraordinário elo perdido entre o som pesado do hard rock de outras bandas de Detroit surgidas final dos anos 60 e início de 70, como o Stooges e o MC5, e a investida veloz dos primeiros anos do punk, entre 1976 e 1977. Canções como “Politicians in My Eyes”, “Keep On Nothing” e “Freakin Out” são explosões ácidas de punk selvagem, fazendo dos irmãos parentes próximos, no que diz respeito a um dom artístico inconsciente, dos pioneiros do punk e de seus contemporâneos: Os Ramones, de Nova York, Rocket From the Tombs, de Cleveland, e The Saints, de Brisbaine, Austrália. Eles precederam o Bad Brains, a banda negra de punk mais célebre dos Estados Unidos, por quase cinco anos.


Jack White, do White Stripes, que cresceu em Detroit, disse em uma mensagem de email: “A primeira vez que coloquei para tocar ‘Politicians in My Eyes’ não acreditei no que estava ouvindo. Quando me contaram a história da banda e o ano no qual aquela música tinha sido gravada, aquilo simplesmente não fazia o menor sentido. Eles estavam à frente do punk e da época”.

Os irmãos Hackney começaram a tocar R&B ainda na adolescência, na garagem dos pais no início dos anos 70, trocando para o hard rock em 1973 – depois de assistirem um show de Alice Cooper. Dannis tocava bateria, Bobby cantava e tocava baixo e David escrevia as canções e contribuía com o trabalho propulsor de guitarra, originário do estudo da técnica power-chord de Pete Townshend. A habilidade dos músicos cresceu quando a mãe dos rapazes permitiu que a mobília do quarto deles fosse substituída por microfones e amplificadores, contanto que praticassem por três horas todas as tardes. “Das 3 às 6 da tarde simplesmente explodíamos a vizinhança”, disse Dannis, 54 anos.

O Death começou a tocar em casas noturnas e festas de garagem na zona leste de Detroit, composta por bairros de predominância negra. Porém os rapazes se deparam com diferentes reações, como confusão e escárnio. “Fomos ridicularizados na época, pois todo mundo de nossa comunidade estava ouvindo o som da Filadélfia, Earth, Wind & Fire, os Isley Brothers”, disse Bobby. “As pessoas achavam esquisito o som que estávamos fazendo. Éramos bastante agressivos ao tocar rock ‘n’ roll porque tinha tantas vozes ao nosso redor tentando nos convencer a abandoná-lo”.

Trinta anos depois, chegou a hora do Death
Quando a banda estava pronta para gravar, David escolheu um estúdio colando as listagens das Páginas Amarelas na parede e arremessando um dardo, que caiu em cima da Groovesville Productions – empresa de Don Davis, um bem-sucedido produtor da gravadora Star Records. O estúdio assinou contrato com a banda e em 1974 teve início o trabalho de gravação no United Sound Recordings Studios de Detroit, onde o Death dividia o espaço com as bandas Funkadelic, The Dramatics e Gladys Knight. Na época, David tinha 21 anos, Dannis 19 e Bobby, com 17 anos, ainda fazia o colegial na Southeastern High School.

“Eles eram tão impressionantes e a música que faziam era tão grande para três garotos”, disse Brian Spears, diretor de publicação da Groovesville na época que supervisionou as sessões. “Eu sabia que aqueles garotos eram ótimos, mas tentar fazer um grupo negro emplacar com rock ‘n’ roll era muito difícil naquela época”.

O aparente niilismo do nome Death também estava em descompasso com a época. “Ninguém aprovava aquele nome, que parecia uma enorme desvantagem. Quando a gente dizia o nome do grupo a alguém, a reação era algo como, ‘Cara, porque vocês estão chamando o grupo de Death (morte em inglês)? ’”.

O Death e a Groovesville se separam em 1976. Don Davis produziu dois hits naquele ano: “Disco Lady” de Johnnie Taylor foi um deles. Enquanto isso, os irmãos Hackneys gravaram 500 cópias de “Politicians in My Eyes” e “Keep On Knocking” no selo independente da banda, o Tryangle, mas descobriram que seria quase impossível fazer o single tocar nas rádios de Detroit. A disco music começou a dominar o mercado e o controle das listagens das rádios mudava de mãos: dos DJs locais para consultores corporativos.

Quando a desilusão dos irmãos aumentava, eles foram convidados para visitar Vermont por um parente distante. “Então viemos até aqui para esvaziar a cabeça por alguns dias”, disse Bobby com uma gargalhada. “Isto já faz uns 30 anos”. “Ainda estamos esvaziando a cabeça”, disse Dannis.

Depois de fixarem residência em Burlington, os irmãos lançaram dois álbuns de rock gospel com a banda 4th Movement no início dos anos 80. David não agüentou a saudade de Detroit e mudou-se de volta para a cidade em 1982, continuando a fazer música até sua morte. Em 1983 Bobby e Dannis formaram uma banda de reggae, a Lambsbread, que acabou se tornando uma presença familiar na explosão das jam-bands em Vermont no final dos anos 80 – oito álbuns mais tarde o Lambsbread ainda permanece ativo no circuito universitário da Nova Inglaterra. Os dois irmãos compraram uma casa juntos em Jericho, a oeste de Burlington, onde construíram estúdio próprio e constituíram família. Ambos tiveram cinco filhos.

Os filhos de Bobby foram cruciais na ressurreição do Death. Os irmãos Hackney nunca haviam compartilhado com os filhos os detalhes da experiência que haviam tido com o Death. “Tínhamos seguido nossas vidas e achamos que aquele capítulo tinha acabado, pois havíamos passado por tanta rejeição com aquela música”, disse Bobby. “Não queríamos reviver aquilo tudo e, no meu caso, eu não queria reviver aquilo com meus filhos”.

Porém, no ano passado, Julian ouviu o single do Tryangle em uma festa em San Francisco e reconheceu a voz de seu pai. Logo depois, Bobby Jr. fez uma busca no Google que revelou o status de Santo Graal do único lançamento da banda. A novidade deixou Bobby pai perplexo, que desengavetou as masters em maio passado pela primeira vez em três décadas e sentou-se com Dannis para escutá-las. A música “literalmente nos tirou a respiração”, disse Bobby pai.

Os filhos de Bobby ficaram tão impressionados quanto ele. Bobby Jr., veterano de diversas bandas de hardcore de Burlington, formou o Rough Francis com dois irmãos e dois amigos para tocar a música de Death como um tributo a sua família (O nome da banda é o apelido de seu tio David). “Estávamos simplesmente tentando encontrar maneiras de informar as pessoas sobre a música do Death”, disse Bobby Jr.

Os jovens Hackneys não eram os únicos entusiastas do Death. Em agosto de 2007, um colecionador de discos chamado Robert Cole Manis, ao ouvir “Keep On Knocking” em uma coletânea pirata de obscuros singles de punk de 2001 encontrou uma cópia do single do Tryangle no site eBay, adquirindo-o por US$400. “Foi amor à primeira vista logo que ouvi”, disse Manis. “Acho que o disco é simplesmente fenomenal. É atemporal. É um documento incrível”.

Ao navegar na internet no último verão, Manis se deparou com um post de um amigo de Bobby Jr. em um mural de mensagens punk anunciando a redescoberta de fitas do Death. Muito empolgado, Manis seguiu a trilha dos Hackneys até Vermont e os colocou em contato o selo indie Drag City, de Chicago, com quem ele já havia trabalhado em um projeto de relançamento.

A música é uma “combinação inegável de elementos do punk e do rock clássico”, disse Rian Murphy, porta-voz do Drag City. “Você pode colocar a agulha em qualquer parte do disco e simplesmente ser completamente transportado”.

Os Hackneys e a Drag City estão negociando o relançamento dos álbuns da banda 4th Movement e Bobby e Dannis estão pensando em fazer alguns shows com o Death com o guitarrista Bobbie Duncan assumindo as guitarras.

Dowload do cd: Clique Aqui 

Site do Selo: Clique aqui

 
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Publicado por em 31/08/2012 em Noticias

 

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